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Blog de cidadaniaconsciente


A AMAZONIA É NOSSA... enquanto estiver preservada

Fonte: Site Portal do Meio Ambiente 31/5/2008

Por Marcos Sá Corrêa*

 

A boa e velha malversação de hegemonia

Todo mundo sabe que as florestas tropicais são fabulosos tesouros de biodiversidade. E patati, patatá. E tende cada vez mais a saber que esses tesouros estão enterrados em países pobres e atrasados. Ou seja, dependem de verbas miseráveis, governos corruptos e Estados "seqüestrados por quadrilhas", segundo o biólogo John Terborgh. E por isso têm tudo para desaparecer em 30 ou 40 anos, deixando de souvenir um rastro de parques nacionais falidos.

Terborgh é um cientista curtido em trabalho de campo. Tem autoridade de sobra para dizer o que diz sobre florestas tropicais. Está longe de ser isento. Mas quem acha que, em nosso caso, ele está muito longe da verdade, atire a primeira pedra no sueco Johan Eliasch, acusado pela Agência Brasileira de Inteligência de dizer que, por "apenas US$ 50 bilhões", se compra a floresta amazônica. Ele é suspeito de fazer o que qualquer madeireira faz - só que ele faz para manter as árvores de pé. Logo, a Polícia Federal pretende investigá-lo.

Nada mais fácil. Eliasch dirige programas contra o desmatamento e a favor de energia limpa no gabinete do primeiro-ministro inglês. Na vida privada, preside a Head, gigante multinacional de equipamentos esportivos. Tem um pé no Brasil, via Brasilinvest. E fundou a Cool Earth, uma ONG que tem 12 mil patrocinadores e nasceu para remediar a desordem climática, recolhendo ricas doações e pagando aos brasileiros para poupar na Amazônia matas ameaçadas de sumir em, no máximo, um ano e meio.

Trata-se, portanto, de uma espécie de bolsa-floresta, bancada por dinheiro alheio. Em princípio, o que Eliasch compra não é bem a Amazônia, nem mesmo a floresta, mas nosso interesse em mantêla onde está. O Brasil merece esses créditos de carbono porque divide com a Indonésia a produção de 10% da fumaça mundial, só com fogo no mato. Juntos, os dois mandam ao ar cerca de 6 bilhões de toneladas de CO2 por ano.

Isso não impede ninguém de aproveitar a proposta para declarar que a Amazônia é nossa. Ela é. Ou será, enquanto existir. Ou o presidente Lula, de avisar que "a Amazônia tem dono". Tem sim, até demais, privatizada por grilagens como está. Ela não tem governo exatamente por excesso de donos. Mas a última tentativa de controlar o roubo de terras na região foi obra do ministro Raul Jungmann no governo FHC. Jungmann encontrou na ocasião quase 50 milhões de hectares grilados só nos cartórios do Amazonas. Um terço do Estado.

A Amazônia é nossa. Mas, como não foi avisada disso antes de chegarem por lá os tratados de fronteiras, também é boliviana, peruana, equatoriana, colombiana, venezuelana, surinamesa e guianense. Tem vocação natural para programas de conservação transnacional, como se faz no resto do mundo. Seria uma chance de aprendermos alguma coisa com os vizinhos. O Peru tem na Amazônia parques melhores do que os nossos. O presidente Hugo Chávez pode ser o modelo mais caricato do populista fanfarrão na política latino-americana, mas vive falando em plantar um milhão de árvores. De quebra, a Venezuela tem quase metade de seu território em áreas protegidas.

A Amazônia é nossa. O problema é que às vezes parece tão nossa como era a escravidão no século 19, quando o império brasileiro brandiu o tacape da soberania contra a pressão da Inglaterra sobre o tráfico negreiro e o abolicionista Joaquim Nabuco mandava cartas à British and Foreign Anti-Slavery Society, em Brigthon, traindo segredos patrióticos em favor do direito universal. Ou tão nossa quanto foi a tortura na década de 1970, quando o presidente Ernesto Geisel enfrentou a campanha do governo Jimmy Carter em defesa dos direitos humanos.

Convém que a Amazônia seja nossa de outro modo. Porque o estilo tradicional de nosso sentimento hegemônico já se sabe que fim levou.

Marcos Sá Corrêa: É jornalista e fotógrafo. Formou-se em História e escreve na revista Piauí e no jornal O Estado de S. Paulo. Foi editor de Veja e de Época, diretor do JB, de O Dia e do site NO. É pai de Rafael Corrêa, colunista de O Eco.

Artigo Site O ECO - www.oeco.com.br

Fonte: REBIA Sul / Germano Woehl Jr.



Escrito por cidadaniaconsciente às 09h07
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A amizade é um santo remédio

Margareth Botelho

Como faço todos os dias levanto cedo e mesmo sem olhar no relógio já tenho programadas as minhas próximas 24 horas. Posso estar triste ou feliz, não há tempo para pensar nesses detalhes. Posso estar sem dinheiro, estar com um probleminha de saúde, reclamar de uma dor, mas nada que impeça de pular da cama e ir adiante. Posso sentir um tédio ao chegar no trabalho ou agradecer aos céus por ter um trabalho. Posso lamentar aquelas decepções diárias que todos experimentam, mas fico empolgada em poder recomeçar mais um dia. Nessa rotina que, embora com pequenas diferenças, é comum à maioria das pessoas, existem componentes que nos fazem melhores ou piores. Sentimentos que a gente carrega ao longo dos anos e que se transformam em lições de vida.

De tudo que tenho passado, definitivamente não posso me queixar dos filhos que Deus me deu e que certamente logo não serão tão meus assim. Igualmente não posso reclamar dos meus pais, apesar de muitas vezes tê-los criticado. Afinal sou grata por ter nascido. Irmãos, irmãs, cunhados, cunhadas, sobrinhos e vai uma penca de parentes, especiais cada um a seu modo, ainda bem. Embora nem sempre esteja presente na vida deles, eu sei que estão ali e em um simples gesto prontos para me apoiar, mesmo que julguem erradas algumas atitudes que tomei sem consultar ninguém em meio àqueles rompantes de verdades próprios da juventude.

Da mesma forma como os anos vão nos moldando a cada situação, a cada dificuldade, a cada alegria, têm fatos e pessoas que não podemos deixar de lado nunca. Posso lamentar as decepções que me causaram, como também me sentir acolhida pela simples constatação de saber que eles existem. Estou me referindo aos meus amigos. Os que um dia foram inseparáveis e hoje estão distantes, como os dos dia-a-dia sem os quais tudo seria muito mais difícil de suportar. Durante nossa vida, amigos vêm e ficam. Enquanto outros vêm e se diluem, mas nem por isso deixam de ter importância. Outros passam, porém impõem marcas profundas. São aqueles que vão embora sem a menor vontade de ir. E se um dia ficarmos sem nos falar, se houver mesmo a amizade, faremos as pazes e nada do tal "belém, belém, nunca mais fico de bem"!

Gostaria aqui de render meu tributo a esses amigos de todos os tipos que surgiram em minha vida e me empurraram pra frente. Talvez eles nem tenham consciência da importância que tiveram em momentos difíceis e naqueles de pura alegria. Os meus amigos estão guardados no coração. Quem sabe ainda possa ter tempo de agradecer a cada um o valor de sua amizade. Cada um inesquecível em seus conselhos, no jeitinho especial de ouvir, ou simplesmente no silêncio de um abraço carinhoso ou na troca de um olhar. Tenho convicção de que a amizade é o sentimento que falta ao mundo, que poderia transformar muitas situações. Da minha parte, que me perdoem os amigos que esqueci, deixei de lado ou que magoei... Sei que de uma forma ou de outra, nasceremos de novo, um para o outro, quando menos esperarmos.

Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá e diretora de Redação de A Gazeta. E-mail: margareth@gazetadigital.com.br




Escrito por cidadaniaconsciente às 07h15
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Mais impostos, não!

Arthur Virgílio

O governo está em plena tentativa de recriação da malsinada CPMF, que a oposição, com os votos dos senadores dissidentes da base governista, derrubou no fim do ano passado, interpretando o sentimento da Nação.

O Lula não se conformou. Tomou como desafio pessoal uma decisão democrática do Senado que foi aplaudida por trabalhadores, empresários, estudantes, agricultores, profissionais liberais. Os brasileiros sabiam estar pagando o imposto mesmo sem efetuar qualquer transação bancária. A CPMF incidia em cascata sobre toda a cadeia produtiva até chegar ao bolso do mais simples cidadão, pois onerava o arroz e o feijão.

Agora, a pretexto de obter recursos para financiar a Saúde, o governo parte para tentativa de legalidade mais que duvidosa. Se a aprovar na Câmara dos Deputados, encontrará resistência espartana no Senado, afora o questionamento de constitucionalidade que poderá sofrer. O codinome é "bonito": Contribuição Social para a Saúde. A alma é perversa, porque reencarna a danosa CPMF, em roupagem disfarçada.

O presidente, no início, tentou poupar-se, relegando a triste iniciativa a sua dócil base parlamentar. Diante, porém, das resistências que se vão armando na sociedade, teve de desafivelar a máscara e sair em defesa de mais arrocho tributário.

Os argumentos são frágeis e falaciosos. Não procede a alegação de falta de recursos para a saúde. Como prevíamos, a arrecadação vem crescendo sem parar. Até abril, a Receita arrecadou R$ 24,9 bilhões a mais, em 2008, que no mesmo período do ano anterior, quando vigorava a CPMF. Ao final do presente semestre, o excesso de arrecadação terá coberto os 38 bilhões que o governo alega ter "perdido", com a derrubada do imposto do cheque.

Há, pois, dinheiro mais que suficiente! E se não houvesse, o caminho não seria o aumento da excessiva carga tributária que recai sobre os ombros dos brasileiros médios que precisam trabalhar cinco meses por ano somente para pagar tributos. Carga tributária abusiva e sem retorno!

A atitude justa seria reduzir a gastança governamental. Nunca o Brasil teve tantos ministros de Estado: 37, todos com gabinetes, assessores, secretárias, automóveis... e cartões corporativos. Fora os gastos supérfluos, com tantos viajantes, viagens e polpudas diárias. Tais despesas, em verdade, deveriam ser mesmo reduzidas, com ou sem excesso de arrecadação!

Faz-se necessário, finalmente, contestar a afirmação do presidente Lula de que o fim da CPMF não acarretou nenhuma redução de preços. Claro que não! O governo, afinal, para compensar a "perda" da CPMF - e rompendo acordo com as oposições - imediatamente aumentou as alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Empresas (CSLL) e do (IOF) Imposto sobre Operações Financeiras. E não se diga que esse custo será dos bancos - que tanto têm lucrado na era Lula - porque representam despesa do sistema financeiro a ser repassada a quem compra a prazo.

O governo deveria respeitar a decisão legítima do Senado. Se não o fizer, enfrentará uma guerra. Uma nova CPMF, sob qualquer nome ou fantasia, não passará! Mais imposto, não!

Arthur Virgílio é senador pelo Amazonas, líder do PSDB e escreve em A Gazeta aos domingos




Escrito por cidadaniaconsciente às 07h13
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